Universidade de Aveiro cria sensor descartável para testes de urina

06/10/22
Universidade de Aveiro cria sensor descartável para testes de urina

A Universidade de Aveiro desenvolveu um sensor descartável, feito de papel e grafeno, que viabiliza o desenvolvimento de testes de urina “baratos e biodegradáveis”.

Segundo fonte académica, “uma equipa de investigadores do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3n) da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um sensor, feito a partir de papel e grafeno, que deteta e quantifica ácido úrico em amostras de urina humana”.

De acordo com uma nota de imprensa daquela universidade, o sensor descartável “viabiliza o desenvolvimento de testes de urina baratos e biodegradáveis, e abre caminho para a deteção de outros biomarcadores importantes”.

A equipa de investigadores do i3n revela que sensores feitos diretamente a partir de papel podem detetar e quantificar, com sucesso, a concentração de ácido úrico em amostras reais de urina.

O Dr. Bohdan Kulyk, um dos investigadores que participou no estudo, explica que um dos objetivos do projeto foi produzir um sensor flexível, sustentável e com um baixo custo de produção.

Para desenvolver este sensor, a equipa liderada pela docente Prof.ª Doutora Florinda Costa utilizou espuma de grafeno, um material que pode ser obtido a partir de papel convencional.

O Dr. Bohdan Kulyk adianta que a utilização de grafeno surge por ser um material condutor com excelente desempenho eletroquímico, abrindo assim a possibilidade de criar um "biossensor para deteção de parâmetros biológicos”.

O grafeno, descoberto em 2004, é um material composto por uma única camada de átomos de carbono, “conhecido por ser leve, flexível e excelente condutor de eletricidade”.

Os investigadores utilizaram a tecnologia laser para produzir o “grafeno induzido por laser” (LIG – laser-induced graphene) técnica que consiste em irradiar o papel com um feixe laser de forma a transformar a superfície do papel (celulose) em espuma de grafeno.

O sensor já foi testado em amostras de urina humana e revelou “enorme seletividade, provando ser eficiente a detetar ácido úrico”.

Outra vantagem destes sensores, explicam os investigadores, é que as pessoas podem utilizar os testes em casa e, no futuro, poderão estar ligados a sistemas de transmissão de dados que enviam a informação diretamente para uma ficha clínica à qual os profissionais de saúde tenham acesso, libertando recursos médicos.

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